sábado, 13 de junho de 2015

Trivalidade

Em uma cidade pequena, onde havia poucos moradores: um lugar um tanto seco e vazio, com pessoas de pouca personalidade e um pouco desprovidas de beleza física e de uma inteligência; porém era um lugar de boas pessoas, não havia desavenças, nem mesmo discussões familiares. Todos se davam bem e sabiam muito sobre a vida um do outro, apesar de ninguém saber o que realmente se passava na cabeça de cada um.

Alguns moradores se destacavam ali, como a família Lewis. Por algum motivos eram diferentes: é uma coisa que não pode ser explicada, e sim admirada. Eles tinham certo domínio por aquela pequena cidade, era como se tudo o que dissessem fosse lei. Eram mais inteligentes, elegantes, todos com uma beleza marcante, mesmo que fossem pouco notáveis. as pessoas se sentiam um tanto frustradas perto deles, mas não chegava a ser inveja. Inveja acabava sendo algo desconhecido naquele lugar tão afastado de tudo. 

O pai, Thomas, era um homem alto de cabelos negros, olhos castanhos, forte e muito charmoso apesar de estar beirando os 50.

A mãe, Kate, era uma mulher de estatura mediana, cabelos loiros, com alguns fios brancos. Parecia muito carismática, e de olhar radiante lindos olhos verdes, mesmo com os sinais da idade, que por sinal um pouco avançada, já estava em seus 55.

A filha mais nova, Alicia, havia puxado as características físicas da mãe, loira dos olhos verdes, corpo magnifico, de enlouquecer qual quer um mesmo estando com 16 anos.

A mais velha, Lorena, parecia muito com o pai. Possuía cabelos negros, olhos castanhos e muito marcantes, apesar de não ser tão atraente como sua irmã mais nova, mesmo com a diferença de quatro anos de idade. 

Um dia Thomas e Kate resolveram sair em um passeio romântico para ver o por do sol. O sol se pôs e eles não voltaram, e as meninas deduziram que eles decidiram aproveitar um pouco mais do que a paisagem. Foram se deitar, o sol nasceu, e eles ainda não haviam chegado em casa. As meninas ficaram um pouco preocupadas. Novamente o sol se pôs, e eles não voltaram. Na manhã seguinte, quando o sol nasceu, foram preocupadas à procura. Não seria algo demorado, pois toda a cidade foi ajudar. Foi ali que o mundo de Alicia e Lorena desabou: ao procurarem em um bosque que havia ali do lado encontraram os corpos de seus pais, mutilados e quase que irreconhecíveis. Uma coisa era certa: foi uma morte lenta e dolorosa.

As duas ficaram inconsoláveis, pis não sabiam o que fazer. Quem poderia ter sido? Quem faria uma coisa dessas? Todos os respeitavam muito, e ninguém ali seria capaz de tal crueldade. Aquelas pessoas só comiam carne em ocasiões especiais para não ter que ficar sacrificando animais! 

Será que havia um assassino se escondendo pelas redondezas da cidade? Não havia como conseguir se esconder em uma cidade tão pequena. Era praticamente impossível. A cidade não mediu esforços para procurar estranhos e suspeitos, mas não encontraram nada.

Sem esperança de um dia encontrar o assassino de seus pais, Alicia resolve caminhar pelo local do crime, e lá encontra James, da família Johnson.

Ela o conhecia de vista, mas nunca parou para conversar com ele por mais de meia hora, apesar de acha-lo muito bonito.

James tinha corpo bem estrutural, seus cabelos castanhos lisos que alcançavam o cumprimento da orelha, olhos castanhos claros, já estando com seus 20 anos e tendo traços masculinos muito fortes.

Curiosa pra saber o que ele fazia ali naquele local se aproximou, ele a viu chegar e se virou em sua direção, e então ela perguntou o que ele fazia ali. Ele demorou uns 3 segundos para responder, e disse:

- Nada, só estou pensando na vida, gosto de vir aqui para pensar. Faço isso desde os meus 4 anos.

- Mas porque aqui? –Perguntou ela

- Não sei, sempre gostei muito desse local, mesmo sendo um pouco sombrio ao por do sol. – Respondeu ele.

- Você sabia que foi aqui que meus pais morreram? Você estava por aqui? Você sabe quem é o assassino?

- Sinto muito, mas não sei, estava na cidade vizinha quando isso aconteceu. 

E em meio a um breve segundo, ela começou a chorar inconsolavelmente. Ele, sem saber o que fazer, se aproximou um pouco e fez com que ela se sentasse numa pedra que havia ali. sentou ao seu lado e a envolveu em seus braços, e ela apoiou a cabeça em seu ombro. Ali ficaram por longos minutos.

E quando ela finalmente consegue parar de chorar, eles começaram a conversar, e ficaram ali, durante horas, sem que ela percebesse o sol já estava se pondo. Ao perceber, disse que precisava ir pra casa, pois sua irmã ficaria preocupada. Mas pediu que se encontrassem de novo.

Chegando a casa encontrou sua irmã furiosa, que já estava preocupada achando que poderia ter acontecido algo. Mas Alicia a ignorou e foi deitar.

No dia seguinte foi se encontrar com James, e novamente conversaram por horas. Todos os dias foram assim. Passaram-se dois meses e eles estavam se gostando. Na verdade ele gostava dela, e ela somente se consolava nele. Mas era feliz ao seu lado. 

Alicia conheceu um menino, Harry, misterioso, um jeito mais viril. Aparentemente não era tão bonito, mas seus olhos pretos, escuros como as noites mais sombrias, a atraiam por algum motivo.

Ela se aproximou, puxou assunto, ele a olhou. Admirou sua beleza por alguns segundos antes de responder a garota. Ela o chamou para andar por ali, e ele aceitou. fez-lhe muitas perguntas, que ele respondeu, e ela perguntou se podia ter a amizade dele. Uma pegunta bizarra, mas ele disse que sim. Ela queria mais do que conversar com ele, mas não podia, tinha namorado. Os dois ficaram de se encontrar mais tarde. Ela foi pra casa, se arrumou e eles saíram: foram andar, e ele sugeriu que eles fossem ao bosque que tinha ali perto. Ela parou por uns segundos, ele sem entender, e ela contou a historia de seus pais. Pedindo desculpas pela sugestão, se surpreendeu ao ouvir ela dizer que não havia problema, e que eles poderiam ir para lá sim. Eles conversaram muito, ela contou sobre sua vida, ele sobre a vida dele. E ali nasceu uma grande amizade.

Um mês depois ela se deparou completamente apaixonada por ele. Então decidiu largar tudo: iria contar o que sentia, e terminar com James para ficar com ele. Chegando em casa ela se deparou com Harry sentado e perguntou o que ele fazia ali. Então ela teve uma noticia que acabou com seu dia: Harry estava namorando Lorena. Não pode acreditar, o garoto ficava muito na sua casa mas ela nunca havia reparado nada entre eles.

Alicia chamou Harry para conversar em particular, e começou a indaga-lo sobre esse relacionamento, e ele estranhou, achou que ela fosse ficar feliz por ele. Então Alicia contou sobre seus sentimentos, e que queria ficar com ele. Harry pediu desculpas assustado, mas disse que teria que se afastar dela. Saiu andando e deixou a menina sozinha.

Duas semanas depois, Harry ainda não dirigia a palavra para a menina, então ela chegou perto dele e disse:

- Harry eu sinto muito meu amigo, e torço verdadeiramente pela felicidade dos dois, você mais do que ninguém me conhece, desculpe se eu estive um pouco confusa sobre meus sentimentos.

Ele olhou para ela deu um abraço muito forte e disse

- Estava sentindo falta da sua amizade pequena.

Alicia terminou seu namoro com James, que não aceitou muito bem. Ficou bravo, até a ameaçou, dizendo que para seu bem era melhor que nunca mais pisasse no bosque.

Passando três meses, tudo estava correndo perfeitamente bem. Lorena estava muito feliz com Harry, e as duas já estavam superando a morte de seus pais.

Harry e Lorena resolveram ver o por do sol no bosque juntos. Ao amanhecer, Harry foi ate a casa delas, e Alicia perguntou por Lorena. Ele, assustado, perguntou:

- Como assim cadê a Lorena? Ela não veio para casa?

- Não. – respondeu a menina assustada. - O que houve?

- Ela disse que iria resolver uma coisa e que já vinha pra cá, disse para eu não me preocupar, e ir direto pra casa.

- Então você a deixou no bosque? – Disse em um tom mais assustado ainda. – vamos para lá procura-la.

Os dois correram para o bosque, e a encontraram com o corpo mutilado e quase irreconhecível. Assim como o de seus pais, as pessoas da cidade acabaram supondo que havia sido o mesmo assassino. 

Alicia e Harry fizeram com que James fosse punido da pior forma possível. Harry estava próximo quando Alicia foi ameaçada, e alegou isso contra ele, e Alice completou dizendo que ele confessou andar sempre pelo local. Apesar de todos serem contra a violência eles optaram por matar James, e o condenaram a forca.

Alicia deu muita força ao Harry, que se encontrava inconsolável naquele momento. E agora Alicia só tinha ao Harry: quando todos estavam mortos, ela soube que poderia contar sempre com ele.

Depois de alguns meses os dois estavam mais próximos do que nunca. Alicia roubou um beijo de Harry, beijo que foi correspondido, e então os dois decidiram namorar.

No dia em que completava um ano a morte de Lorena, Harry levou Alicia para o local da morte. Mesmo sem entender, não falou nada, e quando chegaram lá, Harry olhou para ela e disse:

- Se vamos mesmo ficar juntos, ah uma coisa que você precisa saber.

Alicia o indagava com o olhar, percebia o quanto ele estava nervoso, e mesmo sem entender continuou quieta, e deixou com que ele continuasse.

- Então Alicia, foi eu quem matou seus pais.

A menina parou por uns 5 segundos, olhou para ele, colocou a mão direita em seu rosto e disse:

- Não tem problema Harry, até porque eu matei sua namorada.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Parabéns a escritora pelo excelente trabalho e com essa história simplesmente única, realmente tornei seu admirador pela sua histórias e escrita. Aguardo ansioso por novas publicações.

    Usando suas palavras uma obra como essa "é uma coisa que não pode ser explicada, e sim admirada".

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    1. Caro leitor, é de bom grado saber que meu texto tenha lhe agradado de tal maneira, e que ganhei um novo admirador.
      Saiba que estarei trabalhando em novos contos, e espero que goste dos mesmos assim como gostou desse.
      Meus agradecimentos.. Margot Burns

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