Primeiro eu vou no hospital ver se tenho alguma doença, seja
no cérebro ou no corpo. Qualquer coisa. Depois de três horas volto pra casa
sentindo que meu rosto está sendo rasgado por pássaros. Os médicos falaram que
isso ia acontecer, é natural. Eles também falaram que e natural eu sentir
vermes roendo meu corpo, sentimentos na qual eu perdi tudo, e essas coisas. E
uma síndrome comum.
Sim, eu sei o que
significa ‘’vermes’’. Eu posso ter Síndrome do Cadáver Ambulante mais não tenho
demência. Eu posso está no fim da vida mais ainda tenho coerência.
Eu também sei o que
significa coerência.
A sensação mais
obvia que eu posso descrever essa doença e a morte. Mesmo não conhecendo-a,
deve ser essa sensação. Quer dizer, a sensação de morrer e ir pro inferno. Isso
me lembra muito a ultima vez que minha mãe falou comigo, no hospital, ela está
internada. As palavras dela foi basicamente assim: ‘’Não beba os remédios
vermelhos, apenas os azuis, os vermelhos faz você ter overdose, os azuis são os
que você usa para não menstruar e não ir pro inferno. O inferno e um lugar
ruim, sabia? Você quer que Satã veja você menstruando? Acho que não!’’. Naquela
época ela bebia e falava coisas horríveis, portanto, desculpe se isso te fez
sentir mal.
Eu me sinto mal.
Ninguém se preocupa com isso, só quer saber de bebidas.
- Olha, para de escrever nesse diário. – a minha avó entra
no quarto e fala como se fosse a rainha da Inglaterra. – Você deveria sair de
casa, se divertir mais.
- Quando você tem uma doença que te atinge e melhor você
ficar em casa, assistindo series e comendo torrada.
- Pare de me irritar! Eu já falei pra você sair de casa,
arrume um namorado. – Ela parecia brava, mais mesmo assim me fez rir.
- Tudo bem, eu vou daqui a pouco.
Ela saiu do
quarto.
Não, eu não vou
daqui a pouco. Uma das coisas mais importantes que minha mãe me ensinou quando
ainda são foi que as pessoas são burras o suficiente pra acreditar na primeira
coisa que você diz. Por exemplo: ontem eu comi batata. Eu não comi batata, eu
estou de regime, passei o dia na siririca. Eu aposto que você acreditou.
Sim, eu sei o que
significa siririca e eu costumo fazer muito.
Minha avo bate na
porta abruptamente, vorazmente, então a porta cai.
- O sua filha da puta, você vai sair daqui com ou sem eu
querer!
- Explique-me isso.
Ela tira do bolso
uma 38, aquelas armas de filme, aponta para a sua cabeça e atira.
Instantaneamente ela cai. Os miolos da cabeça dela voaram tudo na parede, foi
algo... melancólico.
Sim, eu sei o que
significa melancólico.
Eu tenho apenas
mais uma coisa pra dizer pra minha avó: ela estava errada, eu não ia sair nem
por bem nem por mal de casa.

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